Estima-se que a endometriose afeta cerca de 8 milhões de brasileiras, e em até 20% delas, a doença pode ser silenciosa. Apesar de sua alta incidência, a endometriose ainda é pouco compreendida e muitas vezes subdiagnosticada, impactando significativamente a qualidade de vida das pacientes.
O que é endometriose?
Segundo o Dr. Marcos Tcherniakovsky, Ginecologista e Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose (SBE), a endometriose nada mais é do que a saída do tecido menstrual, que é aquela camada interna do útero, para fora. “Quando a mulher menstrua, pelas tubas uterinas estarem abertas, esse material também passa pelas tubas e cai dentro da barriga. Um dos lugares mais frequentes, até pela ação da gravidade, é embaixo do útero. Ela também pode se implantar no ovário, intestino e bexiga causando uma reação inflamatória podendo ser muito pequena ou bastante severa”, comenta.
Sintomas e impacto na saúde da mulher
Os principais sintomas incluem cólicas menstruais severas, dor durante as relações sexuais, dor pélvica crônica, dificuldades para engravidar e sintomas intestinais ou urinários cíclicos. Muitas mulheres convivem com a doença por anos sem diagnóstico adequado, o que pode comprometer sua saúde física e emocional.
Qual a incidência de mulheres com a doença no Brasil e a sua faixa etária?
Como citado anteriormente, estima-se que cerca de 8 milhões de mulheres brasileiras são acometidas pela endometriose, e cerca de 200 milhões em todo mundo. “A faixa etária é aquela que a gente considera em que a mulher tem a capacidade de menstruar, ela vai desde a primeira menstruação de uma adolescente, que pode ser a partir dos 10, 11 anos de idade, ou seja, a partir de uma primeira menstruação, até a última menstruação de uma mulher, chamada de menopausa. Esse período é o menacme, então é possível o surgimento da endometriose durante todo esse período”, ressalta o ginecologista.
A importância da conscientização e do diagnóstico precoce
Durante o Março Amarelo, os ginecologistas ressaltam a necessidade de maior atenção aos sintomas da endometriose e incentivo à busca por um diagnóstico precoce. “Seu tratamento pode incluir medicamentos, terapias hormonais e, em casos mais graves, cirurgia. Um acompanhamento multidisciplinar é essencial para garantir bem-estar e qualidade de vida para as mulheres afetadas”, finaliza o Dr. Marcos.
Quanto mais informação e suporte forem disponibilizados, maior será a qualidade de vida das mulheres que convivem com essa doença silenciosa e debilitante.
SOBRE
Dr. Marcos Tcherniakovsky – Ginecologista e Obstetra – Especialista em Endometriose e Vídeo-endoscopia Ginecológica (Histeroscopia e Laparoscopia). É Diretor de Comunicação da Sociedade Brasileira de Endometriose. Médico Responsável pelo Setor de Vídeo-endoscopia Ginecológica e Endometriose da Faculdade de Medicina da Fundação do ABC. Membro da comissão de especialidades na área de Endometriose pela Federação Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO). Médico Responsável da Clínica Ginelife. Instagram: @dr.marcostcher